10 Estratégias Eficazes para Lidar com Birras de Forma Construtiva
- Marilia Queiroz
- 26 de fev.
- 4 min de leitura
As birras são uma parte natural do desenvolvimento infantil, especialmente durante os primeiros anos de vida. Ah se você ainda não viu o conteúdo sobre o temido "Terrible Twos" clica aqui. Elas geralmente acontecem quando a criança não consegue expressar suas emoções ou necessidades de maneira adequada, o que pode gerar frustração tanto para ela quanto para os pais.
Na psicanálise infantil, as birras são vistas como um sinal de que a criança está lidando com um conflito interno — seja por desejos frustrados, inseguranças ou a necessidade de se afirmar. Em vez de punir ou simplesmente ignorar o comportamento, a chave é entender o que está por trás da birra e trabalhar com a criança para ajudá-la a regular suas emoções :)
Aqui estão 10 estratégias eficazes para lidar com as birras de forma construtiva, utilizando técnicas de disciplina positiva e empatia, baseadas no entendimento psicanalítico do comportamento infantil:

1. Mantenha a Calma e Evite Reações Impulsivas
O que fazer: Quando a criança começa a fazer birra, é essencial que os pais mantenham a calma. O seu comportamento pode ser modelado pela sua reação. Evitar gritar ou punir impulsivamente ajuda a criar um ambiente mais seguro, onde a criança se sente compreendida e não ameaçada. A criança, muitas vezes, tem dificuldade em regular suas próprias emoções, e a resposta dos pais deve ser uma oportunidade para o modelo emocional de regulação. A calma dos pais pode ser uma forma de transmitir segurança.
2. Reconheça e Valide as Emoções da Criança
O que fazer: Antes de tentar corrigir o comportamento, reconheça o que a criança está sentindo. Diga algo como: “Eu vejo que você está muito frustrado porque não pode ter isso agora”. Validar as emoções não significa ceder à exigência, mas sim mostrar que você entende o que está acontecendo internamente. A validação emocional é um passo importante no processo de desenvolvimento do ego infantil, ajudando a criança a compreender e integrar suas emoções.
3. Ofereça Opções Limitadas
O que fazer: Em vez de simplesmente dizer "não", ofereça alternativas. Por exemplo, se a criança quer brincar com algo que não é permitido, você pode dizer: "Você pode escolher entre brincar com os blocos ou com os carrinhos". Isso dá a criança uma sensação de controle e escolhas dentro de limites. Essa estratégia ajuda a criança a desenvolver a capacidade de tomar decisões dentro de um espaço seguro, o que contribui para a construção da confiança.
4. Mantenha a Coerência e a Consistência nas Regras
O que fazer: Estabeleça regras claras e seja consistente na aplicação delas. Se a criança sabe que há consequências para um comportamento inadequado, ela será mais propensa a respeitar os limites. Mudanças constantes nas regras podem gerar confusão e insegurança. A consistência nas respostas dos pais ajuda a criança a formar uma sensação de segurança interna. Ela começa a perceber que o mundo é previsível, o que reduz a ansiedade e a frustração.
5. Use o Distração Positiva
O que fazer: Às vezes, a melhor maneira de lidar com uma birra é redirecionar a atenção da criança para algo positivo. Apontar algo interessante ou mudar a situação pode ajudar a interromper o ciclo emocional da birra. Quando os pais utilizam a distração de maneira positiva, ajudam a criança a superar um momento emocionalmente carregado sem negar seus sentimentos, mas ao mesmo tempo oferecendo uma nova forma de lidar com eles.
6. Ofereça Conforto Físico
O que fazer: Às vezes, a criança só precisa de um abraço ou de um toque acolhedor para se acalmar. A presença física e afetiva dos pais transmite segurança emocional e ajuda a criança a se sentir protegida e amada, mesmo quando está passando por um momento difícil. O contato físico é essencial para o desenvolvimento da confiança básica. Ele reforça a relação de apego e ajuda a criança a lidar com as emoções intensas.
7. Estabeleça um Tempo de Desaceleração (Time-out) Sem Castigo
O que fazer: O "time-out" pode ser uma ferramenta útil, mas não deve ser usado como punição. Em vez disso, crie um espaço onde a criança possa se acalmar, mas sem sentir que está sendo rejeitada. Isso pode ser um canto tranquilo, onde ela pode ficar por alguns minutos, recuperando o equilíbrio emocional. O conceito de separação e individualidade é fundamental na psicanálise. A criança precisa aprender a se distanciar temporariamente de situações emocionais intensas, mas sempre dentro de um ambiente seguro e acolhedor.
8. Ensine a Criança a Nomear suas Emoções
O que fazer: Incentive a criança a usar palavras para descrever o que está sentindo. Por exemplo: "Você está bravo porque não pode brincar com aquele brinquedo, certo?". Isso ajuda a criança a conectar palavras com sentimentos e a melhorar sua inteligência emocional. O desenvolvimento da linguagem emocional é um processo crucial no processo de individuação da criança. Ela começa a entender suas próprias emoções e, aos poucos, a lidar com elas de maneira mais adaptativa.
9. Reforce o Comportamento Positivo
O que fazer: Sempre que a criança se comportar de maneira adequada, mesmo que o comportamento não tenha sido perfeito, reconheça e elogie. O reforço positivo cria um ciclo de recompensa, estimulando a criança a adotar comportamentos mais saudáveis. Reforçar comportamentos positivos ajuda a criança a construir um "eu" mais forte e positivo. Ela começa a associar a boa conduta à aceitação e ao afeto, o que fortalece a autoestima.
10. Use Humor para Desarmar a Situação
O que fazer: Quando possível, tente trazer humor para a situação. Algo simples, como fazer uma careta ou criar uma piada leve, pode ajudar a aliviar a tensão e desviar a atenção da birra. O uso do humor pode ser uma forma de "desarmar" a criança sem negar suas emoções. Ele permite que a criança libere a tensão emocional de uma maneira mais saudável e leve.
Mas espera só um pouquinho antes de ir ... isso pode te ajudar!
A criança quando está se desenvolvendo precisa encontrar o terceiro organizador, que geralmente é função do pai (mas não necessariamente). Este terceiro vem para fazer uma cisão entre o bebê e a mãe e colocar limites.
Mas para que isso aconteça de maneira sadia, primeiro a mãe precisa permitir e segundo a criança precisa encontrar pais fortes o suficiente para estabelecer este limite (e aqui não estou falando de força física, mas de segurança mesmo).
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