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"Terrible twos"e o desafio de lidar com crianças pequenas

  • Foto do escritor: Marilia Queiroz
    Marilia Queiroz
  • 10 de abr. de 2024
  • 2 min de leitura

Este termo em inglês foi criado a partir de uma fase muito desafiadora que geralmente tem início aos dois anos de idade e se estende algumas vezes até os 6. Ela é conhecida como a adolescência da infância e vocês entenderão mais para frente o motivo pelo qual a criança se porta de maneira tão desafiadora.

Bom, primeiro de tudo precisamos compreender quem é esta criança de dois anos, certo?

A denominada primeira infância que se inicia aos 18 meses e vai até os 3 anos é um período de amadurecimento ativo do sistema nervoso, muito embora de lento crescimento físico. Apenas a título de curiosidade, aos 2 anos o cérebro infantil pesa cerca de 75% do peso do cérebro de um adulto e aos 5 anos chega a 90%, enquanto o peso corporal ainda não chega a um terço do que alcançará no auge do seu desenvolvimento! É também um período de especialização do sistema nervoso, de modo que no cérebro forma-se os centros motores, de linguagem, de habilidades espaciais, entre outros.

À medida que consegue coordenar seus movimentos com maior precisão, a criança deseja fazer tudo sozinha, como comer ou vestir-se. O desejo e a busca pela autoafirmação pessoal e o controle do seu corpo são próprios desta fase. Os comportamentos de negativismo, oposição e o aparecimento do terceiro organizador, o famoso “não” descrito por Spitz manifestam esse desejo de autoafirmação e diferenciação dos outros.

Erikson um outro teórico desenvolvimento, afirma que no segundo ano de vida tem início um período de realização da vontade, de afirmação de si mesmo e de aquisições que influem sobre o aumento do grau de autonomia. O fortalecimento do ego é claramente visualizado na luta da criança de 2 ou 3 anos para fazer tudo sozinha, seja comer, vestir-se ou pegar objetos. Ela conquista a autonomia em um quadro de dependência permanente, que ao mesmo tempo põe à prova sua capacidade de liberdade e autoafirmação.

Dito isso, podemos pensar nesta criança como um ser que já é capaz de muita coisa sozinha, mas ainda não tem a habilidade da linguagem expressiva muito bem desenvolvida, ou seja, ainda não tem a capacidade de se expressar e ser compreendida com facilidade.

Um estudo desenvolvido com mais de 1 mil crianças de 2 a 6 anos nos Estados Unidos, demonstrou que há uma correlação positiva entre o melhor desenvolvimento das Funções Executivas e um maior repertório de vocabulário. Tá, Marilia! Mas o que isso quer dizer?

Quer dizer que se você estimular desde cedo o vocabulário com seu filho, ajuda-lo a nomear objetos, pensamentos e sentimentos, maior vai ser a habilidade dele nas Funções Executivas e, por consequência, maior capacidade de lidar com a raiva, angústia e sofrimento!



Referências:

  • Bruce, M; Salva, J; Bell, M. From terrible twos to sassy sixes: The development of vocabulary and executive functioning across early childhood. Developmental Science;26:e13396, 2023.

  • Griffa, M.C; Moreno, J.E. Chaves para Psicologia do Desenvolvimento- Vida Pré-Natal e Etapas da Infância. São Paulo: Ed. Paulinas, 2015.

 

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